Canto de Encanto

Um lugarzinho pra se aconchegar...

Canto de Encanto

Um lugarzinho pra se aconchegar...
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Terra Blog

30.09.07

Is the Love a Religion?

O título desta postagem parafraseia um artigo que li há algum tempo chamado “Is the Science a Religion?”, onde o biólogo Richard Dawkins, conhecido por seu movimento ateísta reafirma sua indignação e incômodo diante do automatismo imposto pelas religiões e pela fé, que causou a condução passiva e opressora da humanidade durante séculos. No mesmo artigo Dawkins também coloca como objeto de reflexão o próprio conceito imbutido na palavra religião, na medida em que faz uma analogia desta com a palavra ciência.
É sabido que acreditar em algo que não se vê, pleo simples fato de crer foi primordial para a sobrevivência da espécie humana ao longo dos séculos. Pesquisas arqueológicas e antropológicas mostram que tipos humanos , os Cro-Magnons, , que viveram neste planeta na Era do Gelo só conseguiram continuar a existir após o degelo porque acreditavam que algo superior iria sempre socorrê-los, de alguma forma.Praticavam rituais, enterracvam seus mortos e registravam tudo ou quase tudo em que acreditavam em pinturas nas cavernas para, talvez tornar suas crenças e “verdade3s” reais para si mesmos e para as gerações futuras.
A necessidade humana de crer em algo superior que socorre, ampara e consola diante das necessidades impostas pode ser comparada , assim, com a necessidade de amar.
A mar alguém ou algo, uma idéia ou qualquer outra “coisa” pode sim ser compreendido como forma de sobrevivência, de perpetuação e manutenção da espécie.
Analisando biologicamente os efeitos produzidos pelo que a maioria das pessoas denomina “amor” temos que senti-lo provoca a produção de dopamina no cérebro humano.Sthefen Klein, em seu recente lançamento “A Fórmula da Felicidade” traz informações bem preciosas acerca de como nossa grande e complexa máquina de pensamentos e emoções funciona para manter a harmonia com a qual fomos dotados desde a formação uterina. Segundo ele, nosso cérebro está sempre pronto para produzir o que ele chama de “as substâncias da felicidade”.
Portanto, sob o ponto de vista biológico, o amor não é nada mais que o produto de um emaranhado de redes neurais estimuladas por substâncias cerebrais.
Já para muitos de nossos maiores escritores (sejam eles romancistas, poetas, ou até mesmo filósofos) o amor transcende o corpo e revela a alma (alma?), elevando-nos ao estauto de “seres supremos”, “elementos radiantes surgidos na natureza inerte”.
Pensemos:o que faz com eles escrevam sobre entre as pessoas dessa forma tão, digamos , “romântica”, e com que nós esgotemos todas as suas publicações?Exatamente a mesma necessidade lá do Homem do gelo: sobreviver, perpetuar-se.
Amarmos o fato de amar. Ficamos completamente apaixonados pela Paixão.Precisamos sempre amar, cada vez mais, e mais intensamente. É nosso ópio.
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, filósofos existencialistas, amaram muito. E de muitas maneiras, em vários momentos, várias coisas, idéias e pessoas.Amavam a si mesmos, um ao outro, a outros e, às vezes, compartilhavam o mesmo objeto, ser ou idéia amados.
Mas, muito mais que isso, eles amavam amar.Era sua maior droga, seu maior estímulo.Sartre manteve encontros amorosos com suas amantes até o fim de sua vida.Beauvoir o maou mesmo após sua morte, chegando a deitar ao lado de seu corpo em uma cama de hospital e lá dormido até que o corpo fosse levado ao velório.
Amar é, antes de tudo, querer amar, precisar amar. Amar é, sem dúvida, uma necessidade humana. E é nisso que se assemelha à religião. É preciso acreditar e vivenciar algo que produza dopamina, que nos incentive a permsanecer vivose que nos faça esperar o futuro.
Mesmo que não precise ser comprovado ou explicado, precisamos crer em algo.Mesmo que seja algo inventado por nós mesmos e que corramos um sério risco por isso.
Sylvia Plath, uma das maiores poetas que o mundo já viu escreveu em um de seus poemas “ Eu criei você em minha mente”, buscando uma justificativa para o grande sofrimento que vivenciou em seu conturbado relacionamento com o também poeta T.S.; Talvez ela estivesse realmente certa. Poderia ter amado o ato de maá-lo muito mais que a si mesma e, assim , ter construído um grande “csatelo de areia” de sentimentos não compartilhado por seu amado,e que não conseguiu sustentar por muito tempo, acabando com sua prórpia vida.Ele, de certa forma, também amava o ato de amar, mas não quis morar com ela no ‘castelo”. Ele precisava amar, e amava muito, muitas mulheres e muitas coisas. Mas não a elegeu como sua única forma de viver.Ele não seguiu a doutrina a que ela resolveu se submeter
Histórias de Amor onde alguém “foi feliz para sempre” existem para finalizar contos de fadas e novelas da TV.
Ser feliz para sempre não existe, muito menos se depender da parceria perfeita, da “cara-metade”.
Ser feliz é agora. Pra sempre é tempo demais.
  • criado por  madlau criado por madlau
  • Postado em 12:46:51

02.09.07

Negligências

Negligencia ao mundo quem somente encontra a razão para ele em si próprio, quem decide gostar somente do amarelo e pune todos os que gostam de vermelho, quem o reduz a um círculo onde tudo é inexplicável e imperfeito, onde cada dia se torna apenas uma sobrevivência vã e despida de sentido.
Negligencia a beleza quem nunca percebeu o som solitário, embora forte e perfeito, dos violinos em meio a uma interpretação sinfônica de Tchaykovsky e quem jamais ousou adentrar a genialidade e singeleza de um “Van Gogh”; quem em meio ao nada não conseguiu enxergar a única flor que surgiu, vitoriosa.
Negligencia ao outro quem não percebe suas necessidades, seja de pão, de água ou apenas de alguém por perto e quem, ao percebê-las, nada fez.
Negligencia a morte quem esquece da efemeridade da vida.
Negligencia a vida quem esquece de que ela acontece a cada dia, e que cada minuto é um presente, uma nova oportunidade de aprender e recomeçar.
Negligencia o bem quem ainda não o encontrou dentro de si e quem, ao encontrá-lo, jamais permitiu-se revestir dele e mostrar aos outros o quanto é útil para viver nesse mundo.
Negligencia o mal quem não o percebeu surgir sorrateiro quando permitiu que alguém chorasse por sua causa.
Negligencia o passado quem não o busca e retoma, com suas alegrias e dores, a fim de permitir que os pedaços esquecidos façam parte de um presente melhor.
Negligencia o presente quem diz não a uma nova emoção, a uma nova forma de se enxergar e de se reinventar.
Negligencia o futuro quem, no presente, fica esperando que ele chegue mas não faz nada pra que seja o melhor possível.
Enfim, negligencia a si mesmo quem não vê no espelho alguém digno de ser amado e respeitado, quem não vê a beleza exposta em cada parte do corpo, em cada marca que o tempo e as emoções deixam na face. Negligencia a si mesmo quem espera encontrar-se no outro, quando tudo o que precisa já está lá dentro da alma, inscrito por sua história, a história de quem se é ou de quem se permitiu ser.


  • criado por  madlau criado por madlau
  • Postado em 16:51:54

15.07.07

Era uma vez...

Era uma vez uma princesa. Sim, uma princesa. Pois só princesas vivem histórias de “era uma vez”.
Era uma vez uma princesa que abandona seu castelo. Antes, percorre silenciosos cômodos. Percorre silenciosa os cômodos.E cada um deles a recebe como se a abraçasse. E ela os sente. Silenciosa.
E ao senti-los, revive e retoma pedaços esquecidos de si mesma. A princesa que um dia viveu um conto imaginado. Não de fadas, porque fadas não existem. Princesas sim.
E o conto que a princesa imaginou foi o mais belo e encantadoramente feliz que jamais alguém ousou imaginar. E seu sonho reviveu. O sonho escrito em sua história.
Ah! Havia um príncipe também, do qual ela lembrara naquele instante.E lembrou em cada pedaço de si mesma que encontrara de quando se perdiam os dois, o príncipe e a princesa, em seus próprios corpos, ali, naquele castelo. E se perdiam, e se queriam tanto que jamais ousaram tornar aquele conto encantado real.
Então a princesa derramou suas últimas lágrimas por aquele sonho inventado. E lembrou que o sonhou só. Que o príncipe não era príncipe. O príncipe não era nada.
E ela...bem, ela era muito mais que uma princesa. Pois princesas precisam de contos pra acontecer. E ela já havia acontecido pra si mesma há muito tempo, desde o dia em que resolveu escrever a própria história.
E recolheu seus pedaços esquecidos. E enxugou as lágrimas.
E fechou o castelo.
E foi embora para sempre.     



  • criado por  madlau criado por madlau
  • Postado em 22:12:07

15.05.07

Verdades inventadas necessárias

Por volta das dezesseis horas de hoje desembarcou em São Paulo o Papa Bento XVI. Esta é a principal notícia que vejo hoje, 9 de maio de dois mil e sete, nos principais meios de comunicação do país.
Violência? Corrupção? Fome e miséria? Ah, sim, há algumas notas sobre isso também, claro. Afinal, o país em que o Papa desembarcou foi o Brasil.
Mas o que me chama a atenção hoje diante da visão que tenho pela TV de milhares de seguranças e militares mobilizados e saídos não sei de onde não é o fato de estarem lá sem nunca terem estado em lugar algum (pelo menos eu não vi, alguém ai viu?). Bento XVI, ou Joseph Hatzinger, não é apenas o superior representante de uma das mais antigas e maiores formas de religião existentes no mundo.É, também, um chefe de estado e, nessa condição, não se pode estranhar a presença de um forte esquema de segurança e da mobilização dos anfitriões da casa em sua chegada.
O que me chama a atenção hoje é a presença de um outro exército, uma outra milícia. Uma multidão saída dos vários cantos do país que se amontoa em torno do mosteiro de São Bento para receber um aceno, uma palavra, um “em nome do Pai, do Filho, e do espírito Santo”, vindos daquele homem. Aquela figura de branco que aparece em uma sacada e é reverenciada por gritos, choro e aplausos daqueles que enfrentam 10 graus apenas para vê-lo.
O que os faz estar ali? O que os leva a crer que aquele homem seja diferente dos demais e mereça tanta reverência, tanta dedicação? Quem o elegeu? Quem declarou a ele tanta supremacia em falar de amor, paz e conforto à humanidade?

O que leva uma pessoa a acreditar em algo que jamais precisou de comprovação?O que faz com que a humanidade se vulnerabilize tanto diante de tais crenças?
Somos seres racionais, já sabemos disso há milhares de anos pelo fato exatamente de o sermos. Nosso cérebro funciona de forma a fazer com que novos conceitos tenham ligações com aquilo que já apreendemos. Precisa disso para manter-se vivo, para construir e reconstruir as milhares de ligações axônicas de que é constituído.
Então por que motivo ainda estamos sujeitos a aceitar uma credibilidade dada a pessoas e fatos sem que sequer cogitemos uma explicação? Sem sequer exigirmos uma aproximação com a lógica do que vemos e podemos comprovar?
Pensando nisso lembrei-me de quando era criança e ganhei em uma edição de férias da Turma do Donald, meu gibi preferido, uma moedinha do Tio Patinhas que, segundo vinha escrito lá, era a “moeda da sorte”dele, vinda direto de se “caixa-forte”. Hoje isso me parece absolutamente ridículo e incalculavelmente absurdo,mas passei uma boa parte de minha infância completamente agarrada àquilo que se tornara uma espécie de amuleto, de companhia imaginária para seguir em frente. E lembrei-me também de quando a perdi, em uma poça de lama da qual minha mãe me impediu imbativelmente de resgatá-la. Fiquei dias absorta em uma melancolia, uma incerteza diante da vida creditada a perda de minha moedinha.
E foi exatamente a lembrança da existência de minha tão amada moedinha da sorte que me trouxe, talvez, uma explicação para o algo que presencio hoje e que me inquieta tanto.
Eu precisava tanto de minha moedinha quanto aquelas pessoas precisam daquela figura de branco que aparece na sacada. Sim, digo figura de branco, pois, assim como minha devoção não foi creditada ao pedaço de metal que estava em minhas mãos, a deles não está no homem que é substituído a cada período de tantos anos quanto dure a vida do seu antecessor.
A devoção está no que o objeto da fé representa para a vida. Ou pelo menos no quanto este objeto consegue suprir uma necessidade humana de confortar-se em algo, de encontrar um refúgio de certeza, isento de toda e qualquer necessidade de comprovação.
O ser humano demonstra uma necessidade pouco auto analisada de crer em algo que lhe garanta e justifique a sobrevivência.Algo que lhe indique que existe um caminho a seguir, uma forma de viver. E é nesse momento que surgem, dentre muitas coisas, as religiões.
Religiões são, para mim, apenas aglomerações sociais em que pessoas que se confortam e se suprem do mesmo objeto de fé se unem e praticam seus rituais, criados por e para elas mesmas. Religiões são uma das formas de garantia da necessidade de viver. A parte ruim é quando se tornam, além disso, perfeitas formas de manipulação e comprometimento de opiniões. Mas isso é uma outra questão sobre a qual não dissertarei agora.
Não me coloco aqui , de nenhuma forma, em uma atitude anticlerical. Sinto-me muito a vontade para expressar minha opinião diante do que vejo e sinto, mas nem um pouco em declarar o que seja certo e errado, melhor ou pior para quem quer que seja. Nem penso que alguém esteja em condições disso.
Precisar de uma fé nos baste, de uma forma de vida que nos conforte justifica nossa condição humana e é perfeitamente compreensível. O que não se pode admitir é que isso não possa jamais ser superado mediante a reflexão.
Quanto a mim, creio em muitas coisas sim, mas não mais em minha moedinha. Descobri com a vida até agora que a maior verdade que tenho está aqui, dentro de mim e naquilo que posso fazer tanto por mim quanto para o meio em que estiver.
Minha verdade sou eu e o quanto eu acredito que ela exista. E nisso sim sou uma fiel bem praticante...
  • criado por  madlau criado por madlau
  • Postado em 21:45:30

08.05.07

Procura

Onde está você?/ Minh'alma chama/O corpo que ama/ A dor de não o ter/ Onde está você?/ Meu corpo é chama / alma que clama/ O desejo que não vê/ Te acho enfim.../ Mas não é você/ É você em mim.../ Te tenho então/ Guardado aqui dentro/ Companheiro de minha solidão

 Laudicéia Tatagiba

  • criado por  madlau criado por madlau
  • Postado em 12:16:03