28.04.07
Amor despedido
"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente."
Ao ler este trecho de Martha ( a Medeiros) fico pensando sobre o que é exatamente essa despedida. E se ela é realmente necessária.
Despedir-se de um amor não pode ser despedir-se de mim mesma. O amor que outrora surgiu em mim não pode ser despedido assim, exonerado de mim.
Quando um amor, ou pelo menos seu pleno uso, termina, não significa que ele tenha que ser removido como uma praga, um vírus mortal de dentro de nós.
Amar é necessário. Produz dopamina. O que fez com que esse amor virasse um sofrimento é que precisa ser arrancado nem que seja com os dentes, urgentemente.
Quando amamos alguém, amamos nele o que aumenta o amor por nós. Sim, por que se não for isso o que vc sentiu, desculpe-me , mas vc não amou.
Quando sentimos aquele friozinho na barriga ao ver o dito cujo estamos prevendo a possibilidade do quanto o encontro, o toque, o prazer fará bem a essa pessoa que somos, e que amamos. Ver o moço feliz por estar ao nosso lado faz feliz primeiramente a nós.
Quando o encontro acaba e também a possibilidade de sua pluralização, não é do amor que sentimos que temos q nos livrar, mas do que foi ruim nele.
O amor que senti faz parte de mim, de minha história ajuda a construir a pessoa q sou. Mesmo que o moço não esteja mais aqui, com a cabeça no travesseiro que fica do lado esquerdo da cama, o amor que ele me fez desenvolver ainda está lá. E não quero me livrar dele.

-
criado por madlau
11:05:31